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ANAMNESE 

ANAMNESE

Sinto como se houvesse algo a fazer,
Mas não soubesse ainda ouvir sem susto
Palavras n’um sentido mais robusto
Dizerem dos segredos em meu ser.

Chega ao ponto em que para m’entender,
Seja preciso qu’eu me lembre justo
Aquilo que esqueci com muito custo
E preferia mesmo não saber.

Contudo, estão em mim n’algum lugar
As memórias que tenho-de alcançar,
Sob pena de perder-me enfim de vez.

Pois só essa lembrança tão molesta,
Que apesar dos pesares mais se presta
A me trazer de novo lucidez.

Betim – 30 03 2017

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