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FOGO MORTO

FOGO MORTO

O amor ardera até me reduzir
A cinzas de desejo ora apagado
Qual engenho de fogo morto, o Fado
Fez-me ruína e pó sem mais porvir.

E o pouco que me resta é refletir
Sobre as contradições de meu estado…
Embora extinto o incêndio, rescaldado,
Meu corpo é calentura a ir e vir.

Levando-me a alegria e toda calma,
O amor ao me inflamar a essência d’alma
Esvaziara-me até a última gota.

Não vejo qualquer Fênix renascida
No sinistro que agora arrasa a vida.
Vejo apenas os campos da derrota…

Gov. Valadares – 31 03 1994

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EM ABSTRACTO

EM ABSTRACTO

Pelo infinito pus meus pensamentos
Em cartesianos pares ordenados.8
Onde inertes sistemas bem fechados
Eu os houvesse já sem incrementos.

Não me admira que em todos os mome333gntos
Em face d’estes eus ali passados,
Reconheci-me rostos mascarados
A encenar-me d’outrem os movimentos.

— “Meu Deus! Será que o meu eu é o meu?” —
Penso, sinceramente, se sou eu
Ou se sou de mim mesmo personagem…

Ou não… Não mais que alguém que se perdeu
Dentro de sua hermética mensagem
No espelho a refletir a própria imagem.

Belo Horizonte – 27 09 1998

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